Blockchain: a grande inovação da era Bitcoin

Tempo de leitura: 7 minutos

Da série: O Futuro das Transações e do Dinheiro

Olá, no artigo anterior eu expliquei o funcionamento da mineração de novos Bitcoins e comecei a explorar o funcionamento da rede Blockchain. Neste artigo eu quero dar mais ênfase a esse assunto e mostrar porque a sua criação é mais importante do que o surgimento do Bitcoin.

A grande valorização no preço do Bitcoin no ano passado chamou a atenção em todo o mundo, mas o mais interessante é que os governos, bancos, as universidades e as empresas privadas mostraram um interesse maior ainda em conhecer a tecnologia que permitiu a criação da moeda digital: a Blockchain, pois é ela que garante a segurança, a velocidade, a transparência e a integridade das transações com a moeda digital.

O Bitcoin é a primeira aplicação que se tornou real com o Blockchain. Somente a primeira, pois há muito mais pela frente.

Simplificando ao extremo a explicação sobre o que é Blockchain, poderíamos definir como a possibilidade de realizar uma transação sem a necessidade de um intermediário para validar e garantir a sua efetivação. Vamos entender agora como isso funciona.

O que é a rede Blockchain?

Imagine um cenário tradicional de uma transação financeira de compra pela internet, em que um determinado comprador precisa realizar um pagamento a uma determinada empresa. Neste cenário, há um intermediário (banco, operadora de cartão de crédito, etc) que garante a efetivação da transação de forma segura entre as partes.

Estes intermediários operacionalizam, registram e são responsáveis por guardar as informações das partes envolvidas e da própria transação, tudo de forma centralizada.

Com o uso de uma rede Blockchain, transações como a do exemplo anterior podem ser efetivadas sem que um intermediário seja necessário para controlar, validar, registrar e manter as informações sobre tais transações. Aqui é que começa o poder da rede Blockchain.

A possibilidade de realizar transações sem a necessidade de intermediários abre o caminho para uma infinidade de aplicações no mundo real, pois a nova tecnologia pode ser utilizada para qualquer tipo de informação digital (informações financeiras, organizacionais, contratos, pessoas, de identidade, de rastreamento, de saúde, etc). As possibilidades agora são infinitas!

Blockchain consiste, então, em um grande “livro-razão contábil” (ledger) em que todas as transações são registradas de forma sequencial e em blocos, e possui os seus registros distribuídos entre todos os computadores que fazem parte dessa rede, de forma que não há um banco de dados central das operações que são realizadas, como ocorre no modelo tradicional.

Como o blockchain funciona?

O processo de validação das transações na rede Blockchain contempla um sistema que utiliza um nível complexo de criptografia para garantir a sua integridade e segurança. Para entender como o processo funciona, vamos assumir que o Beto quer enviar 1 Bitcoin (BTC) para a Ana, como mostra o diagrama a seguir.

A cada 10 minutos um novo bloco é criado contendo centenas ou milhares de operações, e você pode acompanhar em tempo real as transações da rede Bitcoin em sites como o https://bitbonkers.com ou o https://blockexplorer.com (desde a sua criação até o momento em que este artigo é escrito, já foram adicionados mais de 514 mil blocos na Blockchain).

Todas as transações são submetidas para a Blockchain, mas como a rede do Bitcoin somente consegue efetivar até 7 transações por segundo, significa que nem todas as transações levam 10 minutos para serem concluídas, ficando em uma “fila de espera” até que os mineradores façam a sua validação (quanto maior o fee que se paga aos mineradores, maior a probabilidade de ser efetivada antes).

As duas partes envolvidas na transação são identificadas por meio de suas chaves de criptografia pública e privada, de forma que não há como associar à priori o Beto e a Ana com o bloco de transações na Blockchain.

Por outro lado, 100% das transações realizadas em Bitcoins desde a primeira operação no ano de 2009 estão ali registradas, disponíveis de forma transparente e distribuída em todos os computadores que fazem parte da Blockchain (hoje são mais de 12 mil nós na rede).

Por que Blockchain é tão seguro?

A mineração consiste em um processo bastante complexo e que exige um grande poder computacional para descobrir a “combinação perfeita” que coincide com o código criptografado e que torna o bloco de transações válido na rede Blockchain.

Mais do que isso, para que um bloco seja considerado válido e alcence o consenso da rede, ele deve estar associado ao hash do bloco anterior, criando efetivamente uma “cadeia de blocos” (blockchain) com todas as transações desde o início de sua criação, como é exemplificado na imagem a seguir.

É essa arquitetura que torna a Blockchain uma estrutura praticamente impossível de ser alterada. Observe as duas seguintes hipóteses:

  • Se alguém tentar validar uma transação não legítima (por exemplo, registrar uma transação dupla), não será possível encontrar o hash do bloco e, portanto, não há possibilidade de registrar aquele bloco na Blockchain;
  • Se alguém tentar alterar um bloco anterior para incluir ou excluir uma transação (por exemplo, no bloco 23 da imagem anterior), seria necessário reprocessar o 23 e todos os blocos seguintes (24, 25, 26, 27, 28, 29, 30 e 31) dentro de um período de 10 minutos ou menos (antes que o próximo bloco seja criado), o que torna a operação computacionalmente impossível de ser realizada.

Esse conjunto de características tornam a rede praticamente à prova de fraudes, tanto que desde o início de sua operação em 2009 não houve sequer um ataque bem sucedido e que tenha representado quebra de cadeia de blocos na Blockchain.

Propriedades da rede Blockchain

A Blockchain do Bitcoin é uma rede permissionless, ou seja, qualquer um pode instalar o programa bitcoin core, tornar-se um minerador e possuir uma cópia do ledger que contém todas as transações desde o início da sua criação.

Existem outras redes Blockchain que servem a outros propósitos (criptomoedas ou não), podendo ser redes permissionless ou permissioned (redes privadas não abertas a quem desejar participar). É esse tipo de blockchain que os governos, empresas privadas e bancos estão muito interessados em estruturar de forma a usufruir dos benefícios dessa inovadora tecnologia.

As propriedas e o potencial da Blockchain de provocar transformações disruptivas em mercados consolidades é enorme, estimulando um interesse crescente na área da saúde, transporte, indústria e financeiro. Certamente muitas aplicações reais surgirão durante os próximos anos.

No próximo artigo dessa série vamos entender melhor as aplicações da rede Blockchain para organizações e projetos que vão além das criptomoedas.

Este é o sexto artigo da série O Futuro das Transações e do Dinheiro, continue acompanhando as publicações e aprenda tudo sobre Bitcoin e Blockchain.

  • Publicado: Bitcoin e Blockchain – O início de uma grande transformação
  • Publicado: A essência de Nakamato e a economia do Bitcoin
  • Publicado: Qual será o valor do Bitcoin no final de 2018?
  • Publicado: Bitcoin, ouro ou dólar, quem vale mais?
  • Publicado: Como os Bitcoins são criado (minerados)?
  • Publicado: Blockchain: a grande inovação da era Bitcoin
  • Desvendando a rede blockchain e as suas potenciais aplicações
  • Um dia na minha vida com o blockchain
  • Como os mercados estão se transformando com o blockchain
  • Como e por que investir em Bitcoins
  • Ferramentas, dicas, aplicativos, fóruns, e muito mais. Aprenda antes de investir!
  • O que são Altcoins e as três categorias de criptomoedas
  • E mais…

Vejo você em breve!

(Este artigo não deve ser considerado como um estímulo ao investimento em Bitcoins ou em outras criptomoedas. A recomendação, antes de qualquer investimento, é conhecer o mercado das moedas digitais e aprender sobre seus riscos, oportunidades e ameaças).

Sobre Fabio Junges

Fabio Junges é doutor em administração, professor, empreendedor e especialista em finanças pessoais e empresariais.

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